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Blog do Sated Maranhão


PRÊMIO SATED-MA DE ARTES CÊNICAS 2010

 

HOMENAGEADOS DO ANO:

TEATRO: CLAUDIO SILVA
DANÇA: MYRIAM MARQUES
MODA: CHICO COIMBRA
CINEMA: EUCLIDES MOREIRA
PERSONALIDADE CULTURAL: ISONETH ALMEIDA


RELAÇÃO DOS INDICADOS AO PRÊMIO SATED-MA

EM TEATRO:

 

MELHOR ESPETÁCULO

            ESPERANDO GODOT

            PAI E FILHO

            ENCONTROS IMPROVÁVEIS

            60 SAFIRA NO CASARÃO DAS ILUSÕES

            VESTIDAS EM NELSON

 

MELHOR DIRETOR

            MARCELO FLECHA (Pai e Filho)

            ABIMAELSON SANTOS (Esperando Godot)

            LEÔNIDAS PORTELA (60 Safira)

            JOSUÉ REDENTOR (Encontros Improváveis)

            MICHELE CABRAL (O Vaqueiro que não sabia mentir)

 

MELHOR ATOR

            CLAUDIO MARCONCINE (Pai e Filho)

            GILBERTO MARTINS (60 Safira, Esperando Godot)

            NUNO LILAH LISBOA (De Assalto)

            EDUARDO MEDEIROS (Hamletrash)

            URIAS DE OLIVEIRA (A Solidão de D. Quixote)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

            JOSÉ INÁCIO (Desejo)

            JOSUÉ REDENTOR (Hamletrash)

            JORGE CHOAIRY (Pai e Filho)

            RAPHAEL BRITO (Esperando Godot)

MELHOR ATRIZ

            ROSA EWERTON (60 Safira)

            TEÓFILA LIMA (Encontros Improváveis)

            MICHELLE CABRAL (Palita do Trapézio)

            FERNANDA COSTA (Vestidas em Nelson)

            PATRICIA ARANTES (ABC da Cultura Maranhense)

            FÁTIMA DE FRANCO (Desejo)

MELHOR ATRIZ CODJUVANTE

            ALINE NASCIMENTO (Esperando Godot)

 

MELHOR ILUMINAÇÃO

            ELEOMAR CARDOSO (Mulheres de Shakespeare)

            MARCELO FLECHA (Pai e Filho)

            DARCY SOUZA E ABIMAELSON SANTOS (O Homem do

            Cubo de Gêlo)

            RAPHAEL BRITO, DARCY SOUZA E ABIMAELSON SANTOS

            (Esperando Godot)

            MILENA SILVA (De Assalto)

            DARCY SOUZA (Vestidas em Nelson)

MELHOR FIGURINO

            MARCELO FLECHA (Pai e Filho)

            DARCY SOUZA E IRLA CARINA (Esperando Godot)

            URIAS DE OLIVEIRA (A Solidão de D. Quixote)

            RAIMUNDO ARAÚJO (Vestidas em Nelson)

MELHOR CENOGRAFIA

            MARCELO FLECHA (Pai e Filho)

MELHOR PRODUÇÃO

            KATIA LOPES (Pai e Filho)

            HEIDY ATAÍDES (A Solidão de D. Quixote)

            GISELE VASCONCELOS (Macaco, macaquice e macacada)

            FERNANDA COSTA (Vestidas em Nelson)

            NPT RASCUNHO (Esperando Godot)

            ANDRÉ LOBÃO (Lesados)

            MORAES JUNIOR (Anatomia Frozen, Rasga Coração)




Escrito por Sated Maranhão às 14h38
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MELHOR ESPETÁCULO VISITANTE

“Aqueles Dois” – Cia de Teatro Luna Lunera / MG

“Balada de um Palhaço” – Arte e Fatos / GO      

“O Vaqueiro que não sabia mentir” – Grupo Cutucurin / RJ

 

RELAÇÃO DOS INDICADOS AO PRÊMIO SATED-MA 2010 EM DANÇA

 

MELHOR ESPETÁCULO

         RIMEL – CIA RESGATE DE TEATRO E DANÇA

 

MELHOR BAILARINO

         CLEO JUNIOR – Pulsar Cia. De Dança no espetáculo

                                    Badulaque e Sacerdotal Cia de Dança com

                                   Duo. Apresentados no SLZ Dança e Mostra

                                   Guajajaras-SESC.

         ADELSON TAVARES – Badulaque em SLZ Dança, solo PORN

                                                NO na mostra Guajajaras e Duo no

                                                SLZ Dança.

         VILLER – Cia Corpo e Alma no espetáculo “Chico para

                          Encantar”

MELHOR BAILARINA

         CINTIA RODRIGUES – Badulaque, mostra Guajajaras

         SOLANGE COSTA – espetáculo “Árabe folclórico”

         TAILA MENEZES – Contraponto, SLZ Dança

         FERNANDA TROVÃO – em “Chico para encantar”

 

BAILARINO REVELAÇÃO

         JOEL FARIAS – Cia de Teatro e Dança Resgate em H2O no

                                    SLZ Dança e Mostra Guajajaras, Espetáculo

                                   Rímel e Fábrica de bonecas da Escola Adágio

         MIKE SANTOS – Pulsar Cia de Dança na SLZ Dança e

                                       Mostra Guajajaras com “Badulaque”

         FERNANDO SARAIVA – Pulsar Cia de Dança, “Badulaque”

 

BAILARINA REVELAÇÃO

         CAMILA AMARAL – Cia de Teatro e Dança Resgate com

                                             H2O na SLZ Dança e solo Ciranda da

                                            Bailarina em “Chico para Encantar”

         ETIENE MENDONÇA – Escola de Dança Adágio em “Fábrica

                                                 De Bonecas”

         MARIANA BONFIM - Escola de Dança Adágio em “Fábrica

                                                De Bonecas”

MELHOR COREÓGRAFO

         GABRIELE DANTAS – Cia de Dança Resgate com “Rímel” e

                                                “H2O”

         HÉLIO MARTINS – com “Hem Hem Foi assim que eu quis...”   

         SOLANGE COSTA – com “Árabe Folclórico”

 

MELHOR ESPETÁCULO DE ACADEMIA DE DANÇA

         ESPAÇO DANÇA

         ESCOLA DE DANÇA ADÁGIO

         ÁRABE FOLCLÓRICO – Solange Costa

 

 

RELAÇÃO DOS INDICADOS AO PRÊMIO SATED 2010-12-20 EM EXPERIMENTOS ACADÊMICOS

 

 

Indicados.

 

A procura de Ofélia - Eriverto Nunes

 

Vestidas em Nelson - Fernanda costa, Soraya Roberta

                                    e Nina Araújo

 

Monologo do Amor - Teófila Lima

 

Lullaby: por quem choram as pedras - Núcleo de

                                   Pesquisas Teatrais Rascunho

 

Um bonde chamado desejo - estudantes da disciplina

                                    Interpretação I

 



Escrito por Sated Maranhão às 14h37
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não percam!!!

Saudações
Teatrais


Núcleo de Pesquisas

Teatrais
RASCUNHO apresenta:


Espetáculo Esperando Godot


"Não
percamos
tempo com palavras
vazias"



 Dia:

27 e 28 de Novembro


Local:

Teatro Alcione Nazareth.


Ingressos:

20 reais - Meia para estudantes no local


                             


Escrito por Sated Maranhão às 10h15
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MOSTRA GUAJAJARAS!!!

 

A V Mostra SESC Guajajara de Artes é uma das 27 aldeias culturais que integram a Rede SESC de Intercambio e Difusão das Artes Cênicas no Brasil. São acontecimentos estéticos da cotidianidade, são espaços para reflexão e fomento da criação e produção local. É uma feira simbólica que envolve a comunidade em rituais de consumo da arte. (Sidney Cruz)


A Mostra Guajajara de Artes incentiva a produção local abrindo espaço para diálogo, reflexão, formação, confraternização e troca. Ainda, contracena com a produção nacional. Estudantes, profissionais e interessados estarão imersos numa celebração da cultura brasileira.

Na versão 2010, a programação da Mostra contemplará ações diversificadas para todos os públicos nas linguagens de teatro, dança, circo, música, artes plásticas, literatura, cinema, cultura indígena e cultura popular. Pólos culturais nos bairros receberão também espetáculos locais e do circuito nacional. Se estenderá para além dos 07 dias em São Luís, nos municípios de Miranda do Norte, Itapecuru-mirim, Caxias e Açailandia.

A ação formativa contemplará oficinas distribuídos em espaços do SESC Deodoro, UFMA, Sala do Arthur Azevedo. Nesta edição o foco são os comerciários com atrações concentradas na Unidade Deodoro em horário comercial e a interiorização.


Para o SESC Maranhão concretizar e harmonizar todas essas ações não poderia esquecer a importância dos Projetos Institucionais que se interligam, se cruzam e dão sustentação a aldeia cultural: Palco Giratório; Dramaturgia – Leituras em Cenas; Por trás da Cena; Projeto Platéia; Expressões do Corpo; BiblioSESC; Pauta das Artes e Mãos à obra.


O SESC busca através do papel de articulador e promotor da cultura o caráter transformador de suas ações, entendendo cultura não só como um produto final mas também como processo interativo que leva a construção de valores e significados na sua pluralidade.



Escrito por Sated Maranhão às 08h08
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www.spescoladeteatro.org.br/



05/10/2010
Ponto | Curiosidades Sobre o Teatro | A Primeira Atriz

No início da história do teatro, só os homens podiam participar das encenações e, para os papéis femininos, os atores gregos se utilizam de máscaras. Hoje em dia, sabemos que muita coisa mudou. Mas quando afinal as mulheres puderam subir ao palco e dividir a cena com os homens?

 

Atravessando a história das tradições cênicas medievais, foi na Itália que houve uma verdadeira recriação das estruturas teatrais por meio das representações do chamado teatro humanista. No século XVI, ocorreu um intenso processo de profissionalização de atores, com o surgimento da chamada "Commedia Dell'Arte", em que alguns tipos representados provinham da tradição do antigo teatro romano, como as figuras do avarento e do fanfarrão.

 

Devido às inúmeras viagens que as pequenas companhias de Commedia Dell'Arte empreendiam por toda a Europa, este gênero exerceu grande influência sobre o teatro realizado em outras nações. Um século depois, a Itália experimentou grandes evoluções cênicas, muitas delas ainda servem de estrutura ao teatro atual. E foi justamente nesse mesmo período que as mulheres passaram a fazer parte das atuações teatrais, na França.

 

Uma das atrizes que outrora havia sido integrante do grupo de Molière começou a fazer parte do elenco das peças de Jean Racine, poeta trágico, dramaturgo, matemático e historiador francês, considerado, ao lado de Pierre Corneille, um dos maiores dramaturgos clássicos da França. 

 

O nome da atriz? Therese du Parc, conhecida mais tarde, como La Champmesle, a primeira mulher a interpretar Fedra, personagem principal de “Phèdre”, obra de Racine, tornando-se então uma das principais atrizes da chamada "Commedie Française". Assim, Therese du Parc é  o primeiro nome feminino de que se tem registro na história do teatro.

 

Em “Phèdre”, o autor não apresenta hesitações e mostra o mundo da Grécia mitológica em toda a sua plenitude. A personagem é vítima da cólera divina e sua paixão pela personagem Hippolyte é muito mais uma punição dos deuses do que uma ação de sua própria vontade. Phèdre não é apenas uma personagem mitológica que sucumbe à fatalidade divina, mas o ser humano que carrega dentro de si as sementes de sua própria condenação.

 

No texto representado pela atriz, Racine mostra sua habilidade como poeta dramático. A ação está próxima do desenlace, com a protagonista no auge de seu desespero. Phèdre é a personagem trágica por excelência, pois não sendo inteiramente culpada nem inteiramente inocente, desperta no espectador sentimentos de compaixão e terror.

 

Existem boatos de que Racine comprou uma grande briga com Molière devido ao “roubo” dessa atriz de sua trupe.  Não se sabe ao certo, mas, casada com Charles Chevillet Champmesle, dizem que Therese du Parc manteve uma relação extra-conjugal com Racine e morreu devido a um aborto malsucedido.

 

Crédito da imagem:  Cliché Musées Nationaux, Paris.

SP Escola de Teatro - Centro de Formação das Artes do Palco
05/10/2010


Escrito por Sated Maranhão às 08h48
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Revista Bravo!, edição 158, outubro de 2010

 

Agenda

Os melhores espetáculos na seleção de Bravo!


Pterodátilos (Felipe Hirsch)

Do jeito que você Gosta (Companhia elevador de Teatro Panorâmico)

Babel (Alvise Camozzi)

Roberto Zucco (Satyros)

O estranho familiar (André Guerreiro/Djin Sganzerla)

Senhora dos Afogados (Ana Kfouri)

O amor e outros estranhos rumores (Grupo 3 de Teatro)

Whisper of flowers (Cloud Gate Theatre)



Escrito por Sated Maranhão às 10h10
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"Cada vez mais tenho a sensação de que nosso teatro tem girado cada vez mais em torno do “como” e do “o quê”, deixando o “por quê” e “pra quem” em segundo plano."

Mauricio Alcântara (revista Bacante)



Escrito por Sated Maranhão às 16h43
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PESAR!!

Lamento profundamente o acontecido com o Robson Diniz, ator da Cia Tapete Criações Cênicas. A morte de alguém da classe teatral, não que seja mais dolorosa que outras mortes de pessoas mais anônimas, mas certamente amplia em nós artistas uma certa falta de sentido nas coisas da vida, falta de sentido esta que é justamente a motivação maior e, por vezes, a própria matéria prima para nos movermos por esta existência delicada e de fragilidade extrema. recordo agora que estava em frente ao Sesc da Paulista esperando uma palestra sobre o Bernard Màrie Koltès, autor que estamos montando agora, quando o Robson passou rapidamente. Nos vimos brevemente, e nada dissemos um para o outro. Era novembro de 2009, e acho que participava de um evento aqui em SP representando a Cia Tapete. Desejo profundamente em nome do SATED/MA, à família do Robson e a seus companheiros da Tapete meus mais sinceros pêsames. De coração mesmo. Assim como também a toda classe teatral maranhense, à qual sempre pertencerei. Siga em paz companheiro. Amém.

 

                                                                 Dyl Pires



Escrito por Sated Maranhão às 08h24
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NÃO PERCAM!!!




Escrito por Sated Maranhão às 08h45
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"O ROBERTO ZUCCO DOS SATYROS"

Um mundo de seres solitários, imersos em seu individualismo, sem vínculos
É incrível como um teatro de dimensões reduzidas como é o dos Satyros pode ganhar tantas configurações diferentes

Beth Néspoli

Tinha visto uma montagem de Roberto Zucco há cerca de 10 anos, talvez mais, no Rio, dirigida por Moacir Chaves. Não reli o texto de Koltès depois disso e confesso que lembrava mais ou menos do encadeamento das ações, porém não tinha muito mais do que isso retido na memória. Foi impactante reencontrar Roberto Zucco na montagem dos Satyros que me mobilizou o tempo todo durante a apresentação e me acompanhou nos dias seguintes. Fiquei com vontade de comentar o que ficou ressoando em mim, mas talvez seja ainda mais forte o que não consigo traduzir em palavras, as zonas escuras que foram acessadas. Do meu ponto de vista o mérito está na montagem que deixa propositalmente brechas de sentido em aberto, em vez de cair na tentação de trazer à cena, explicitadas, causas psicológicas ou sociais para a trajetória de Zucco. Não porque elas não existam, mas seriam sempre redutoras. São os enigmas, as zonas escuras, que nos fazem conviver com o espetáculo após o seu término.

Koltès, a meu ver, constrói a Zucco em conexão com a trajetória do herói trágico, aquele que se destaca de seu mundo e seu tempo, e por isso o transforma, mesmo que pela destruição. Um ser que transcende o comum dos mortais (Zucco escapa pelo telhado apenas algumas horas depois de estar preso numa cadeia intransponível, nenhum muro o detém) e é movido por forças míticas. O texto mobiliza esse arquétipo (do herói guerreiro), do ser que chega ao autoconhecimento, mas sua trilha é sempre de queda até a morte. Zucco não traça um caminho para destruir, ele destrói em seu caminho, o que não é a mesma coisa. Ele diz, contradizendo seus atos, “eu não sou um herói, os heróis são criminosos. Quando tudo estiver destruído, e uma bruma de fim de mundo recobrir a terra, vão sempre sobrar as roupas manchadas de sangue dos heróis.” Não por acaso o único caminho que faz movido por um objetivo bem traçado é até à casa de sua mãe para buscar sua farda (de guerreiro) suja (de sangue do pai?). E o único personagem do qual ele é capaz realmente de cuidar é do velho perdido na estação do metrô, alguém que, como ele,  desviou-se do seu rumo de homem civilizado, e teme nunca mais voltar.

Ficaria reduzida a dimensão de Zucco se seu intérprete  buscasse “criar e mostrar” justificativas para cada um de seus atos isolados. Robson Catalunha, ao contrário disso, aposta numa densidade contínua, que tem o mérito de deixar perceber a existência de uma força interna que impulsiona aquele rapaz, intensa, mas não exteriorizada por meio de expressão gestual excessiva e cujo foco está além da ação imediata. E vale dizer que o faz sem cair no extremo oposto da performance frouxa, sem energia. Zucco tem aquela calma intensa e perigosa dos seres com os quais é melhor não cruzar o caminho e se isso acontecer, não tirar os olhos dele. Catalunha leva o espectador a entender isso.

Mas de qual mundo afinal Zucco se destaca? Esse é outro aspecto bem retratado na encenação que consegue envolver a gente numa atmosfera de sordidez, de ambientes em que todos os seres humanos estão desconectados de vínculos afetivos e comunitários. Um mundo de seres solitários, imersos em seu individualismo, sem vínculos, mas a encenação, e o elenco, consegue essa visão de panorama sem perda de humanidade dessa figuras.

A peça começa com guardas em vigília na madrugada que vêem uma aparição fantasmagórica, mas Zucco não é Hamlet. Não é o herói de um mundo organizado em torno de um poder monolítico, legítimo ou não, sobre o qual ele possa interferir, ou tenha o dever de fazê-lo. O tolo que atravessa seu caminho, e ele mata, não é um conselheiro de Estado como Polônio, mas apenas um fedelho arrogante de classe média alta. Matou o pai, mas não existe uma trilha de investigação edipiana que possa ser seguida. Vive num tempo de conexões difusas; mesmo os laços familiares não agregam, se rompem de um momento para o outro, e menos ainda asseguram afeto. Após pegar sua farda, passa a andar às cegas, ora em ziguezague, ora em círculos, por isso volta ao local dos crimes. Essa trajetória errática por um mundo igualmente fragmentado é muito bem traduzida. E para isso convergem vários recursos, entre ele um aparentemente simples, mas muito eficiente – a mobilidade das arquibancadas.

Aquelas duas arquibancadas sobre rodas que acomodam o público e são empurradas pelos atores criando diferentes configurações geográficas produzem um efeito que vai muito  além de simples solução para a diversidade de ambientes cênicos – metrô, bordel, parque público, ambientes domésticos. Em primeiro lugar propiciam um envolvimento sensorial que só uma arte presencial pode alcançar e em segundo contribuem para reforçar o estilhaçamento da sociedade pela qual Zucco transita. A forma como esse recurso é utilizado interfere diretamente na recepção porque provoca tensão. Mesmo que o espectador não se dê conta, o tempo consumido pelo trânsito das arquibancadas, ainda que curto, abre espaço interno para a indagação sobre “para onde” se vai, qual será o destino ao fim do movimento.  

É incrível como um teatro de dimensões reduzidas como é o dos Satyros pode ganhar tantas configurações diferentes. Rodolfo García Vázquez ora reduz a cena a um espaço mínimo, um cantinho do palco e com ajuda de projeção transporta o público para os subterrâneos de uma imensa estação de metrô, ora suspende a cena num plano superior e consegue recriar a torre de um presídio de segurança máxima, deixando o público lá embaixo com a sensação de também estar preso e sob vigília. Não é mero efeito sem sentido. As diferentes configurações espaciais reforçam o sentido de fragmentação e desconexão.

A mim o espetáculo atraiu já nessa primeira cena, a dos guardas em vigília. Diney Vargas e Victor Lucena atuam com rara precisão naquela difícil linha em que o texto tem uma carga poética intensa, porém a ação é absolutamente cotidiana. Nessa cena, a atmosfera remete ao “cinema noir”, da iluminação à configuração à cenografia, mas os atores escapam do risco da paródia, a inspiração no cinema, se existe, fica só na remissão, eles fazem desses dois personagens seres vivos e críveis, em vigília na madrugada, com suas inquietações, sem com isso diluir o tom fantasmagórico.

O mesmo tom realista, desta vez intimista mas também na medida certa, volta na cena do encontro de Zucco com o velho, interpretado na medida por Dyl Pires, na estação de trem – delimitada pela iluminação e pelo movimento das arquibancadas a uma reduzidíssima porção do palco. Opção que amplia a tensão provocada por essa aproximação entre o inocente desavisado e o assassino.

Em outro extremo, é criada com tintas expressionistas a família que será “atravessada” pela trajetória de Zucco e por ele transformada. Da maquiagem à interpretação, Cléo de Paris surge em cena não como uma personagem realista, mas como uma máscara, construção simbólica e estranhada que se espraia por todo o núcleo familiar. O impacto dessa estética expressionista faz sentido. Nada há de cotidiano e prosaico nessa família.  Impossível para um espectador brasileiro que tal família não remeta à dramaturgia de Nelson Rodrigues. Está ali o desejo de preservar a pureza da caçula como redenção aos pecados de toda família (Os Sete Gatinhos) ou o contraponto entre repressão e explosão de erotismo (Toda Nudez Será Castigada). Todas as pulsões latentes nesse núcleo familiar  – erotismo, violência e morte – vêm à tona mobilizados pela passagem de Zucco. Como preconizava o dramaturgo brasileiro, ele abre os abscessos dessa família e faz escorrer podridões como o desejo incestuoso e violento do irmão mais velho pela caçula. Na minha opinião os atores desse núcleo dão conta da proposta, até mesmo em sua diluição (a visualidade da cena inicial vai se diluindo aos poucos, ganhando menos estranhamento).

A passagem de Zucco transforma não só dessa família. Ele também vai fazer vir à tona o instinto maternal das putas, a dignidade da cafetina (que percebe o jogo sujo do irmão), a sensibilidade do comissário de polícia, a agressividade do freqüentador do bordel e a infelicidade da ricaça. Neste último caso eu tenho dificuldade de entender  o tom da atriz Maria Casadevall na criação dessa figura. Não sei se foi nervosismo de estreia ou escolha, mas havia nela uma histeria, sobretudo na sua última cena, que beirava à caricatura. Posso estar enganada, mas acho que a “arrogância contida e aristocrática” é chave nessa personagem, porque afasta de vez qualquer relação entre condição social e infelicidade. Zucco não é um personagem de Plínio Marcos, a miséria tratada por Koltès é de outra ordem, e habita também a alma dessa mulher de comportamento (realmente) elegante, que até do próprio filho só consegue sentir a perda quando coloca isso em termos de posse e propriedade. Mas, claro, é uma visão pessoal. Há sempre muitas outras possíveis.

De forma semelhante, porém ainda mais incômoda para mim, destoou a criação da atriz Elaine Grava como a mãe de Zucco. Também não sei se foi nervosismo de estreia, mas a respiração ofegante e o choro falso na chave melodramática não me pareceu cabível e, a mim, atrapalhou até mesmo a fruição do texto que é de uma contundência poética belíssima nessa cena. Aquela mãe tem sentimentos contraditórios, reconhece nele o seu filho, e o rejeita ao mesmo tempo, sente carinho e temor, movimentos importantes até para entender o rompimento que Zucco termina de fazer ali com sua origem. Não sei se foi uma escolha da direção ou uma questão de execução, posso estar enganada, mas acho que há um equívoco ali, a cena em mim provocou um distanciamento nesse momento, fiquei tentando ver a relação dos dois, o que seria aquela cena, para além do que eu via e estava rejeitando.

Há muitos recursos bem utilizados na montagem, como o teatro de sombras. Um dos que gosto muito é o do congelamento do coro. A imobilidade daquelas pessoas da forma como é feita abre espaço para a escuta atenta das palavras de Zucco – “olha como eles têm uma cara malvada. São assassinos. Eu nunca vi tantos assassinos ao mesmo tempo. Ao menor sinal dentro da cabeça, eles começariam a se matar entre eles”. Eu, naquela hora, lembrei da conversa ouvida no mesmo dia, na academia de ginástica, de gente que pedia pena de morte e exprimia sem pudor o desejo de eliminar gente cuja existência julgam ameaçadoras. Nossa, essa conversa passou pela minha cabeça, como um raio, ali, no meio do espetáculo, sem me afastar dele. Eu gosto demais quando isso me acontece no teatro.

As cenas de cabaré, do meu ponto de vista, são todas muito boas, a construção geográfica do cabaré, a atuação das putas, sem exceção.

Por fim, a encenação como um todo ficou retida na minha mente, eu a revisitei mais de uma vez, consigo ver de novo Zucco e aquele velho no metrô e fico pensando que desvio é esse, talvez necessário a todos nós, porém sempre apavorante. Isso não acontece por nada. A montagem me mobilizou e muito.



Escrito por Sated Maranhão às 12h11
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NÃO PERCAM!!!



Escrito por Sated Maranhão às 15h01
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JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO, 13DE AGOSTO DE 2010

Satyros monta 'Roberto Zucco' de Koltès
Maria Eugênia de Menezes - O Estado de S. Paulo

Bernard-Marie Koltès não caiu de amores pelo Rio de Janeiro. Em sua passagem pelo País, em meados dos anos 80, o dramaturgo francês deu de ombros para as praias cariocas. Gostou mesmo foi do centro de São Paulo, de jogar fliperama em algum inferninho da Rua Augusta, de se perder pela cidade que lhe parecia uma "Nova York latina e barulhenta".

Divulgação
Divulgação
Cena de 'Roberto Zucco', bem menos conhecida do que 'A Noite Antes da Floresta'

Para o diretor Rodolfo García Vázquez, do Satyros, é muito provável que Koltès tenha circulado pela Praça Roosevelt, local onde o grupo apresenta a partir desta sexta. 13, sua versão para Roberto Zucco, última obra do autor. Escrita pouco antes de sua morte, em 1989, a peça só foi encenada postumamente. No Brasil, mereceu algumas montagens na década de 1990, mas continua bem menos conhecida do que outros de seus textos, como A Noite Antes da Floresta.

Em Roberto Zucco, Koltès volta a esquadrinhar alguns de seus temas constantes: a violência, a solidão, as figuras marginais. A diferença aqui está em sua gênese, motivada por um personagem real: o criminoso italiano Roberto Succo, autor de uma série de assassinatos na França.

"Mas Koltès não escreveu simplesmente a história de um serial killer", pondera Vázquez. Não seria esse o seu interesse, acredita o diretor, que vincula o texto ao momento em que foi criado: quando o escritor já sabia que tinha aids e que não viveria muito mais. "Naquela época, quem tinha a doença e imaginava para quantos outros poderia ter transmitido, se sentia um pouco serial killer também."

Estruturada em cenas curtas, quase independentes, a peça observa o percurso do assassino, interpretado pelo ator Robson Catalunha, e de suas vítimas. O público assiste à encenação em arquibancadas móveis, que são deslocadas pelo espaço cênico, como se estivessem a acompanhar a trajetória desse anti-herói. "O Zucco é um Hamlet do século 20", acredita o diretor. "Ele não tem as rédeas do seu destino."

Roberto Zucco - Espaço dos Satyros Um. Praça Franklin Roosevelt, 214, telefone 3258-6345. 6ª e sáb., 21h30; dom., 18h30. R$ 30. Até dezembro.



Escrito por Sated Maranhão às 13h02
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É hoje!!! Jamais imaginaria que 1 ano depois da minha chegada aqui estaria estreando um espetáculo. Longo belo e dolorido processo de nascimentos e óbito. Prestes a fazer 40 anos, me sinto vivo.

Um beijo na alma de todos os zuccoletes, um beijo na alma dos sobreviventões!!!

 



Escrito por Sated Maranhão às 12h59
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do blog do rodolfo (olhossempreabertos.zip.net)


Alberto

texto do programa da peça Roberto Zucco, com a homenagem ao amigo...

Alberto Guzik

 

1990. Um grupo de jovens desconhecidos tinham estreado um espetáculo escandaloso, “Sades ou Noites com os Professores Imorais” em um teatrinho decadente chamado Bela Vista. Totalmente outsiders, eles tinham sonhos e um deles era trazer o grande crítico teatral da época para conhecer o trabalho. O grupo queria ser visível. Semanalmente, eles ligavam para o crítico, que sempre respondia polidamente que iria se agendar para vê-los. Depois de inúmeras ligações, o crítico fica irritado com a insistência excessiva e diz a um dos líderes do grupo, por telefone: “Eu só não brigo com vocês porque não sei quem vocês vão ser amanhã.”

Essse grupo era Os Satyros. E o crítico era Alberto Guzik.

Os anos se passaram e o grupo foi morar noutras paragens, viver outras aventuras.

No retorno a São Paulo, em 2000, na Praça Roosevelt, Alberto Guzik passa a freqüentar o Espaço dos Satyros e se aproxima do grupo, que apesar dos anos europeus, tinha voltado a São Paulo à estaca zero e era tão invisível quanto em 1990. Ele acompanha os espetáculos com carinho, dialoga e respeita o trabalho. Foi o primeiro crítico a nos acolher no retorno.

Em 2004, já tínhamos intimidade o suficiente para fazer um convite abusado: Alberto, o crítico, viria trabalhar como ator em “Kaspar”. O convite era um desafio para o grupo, ainda se estabelecendo em São Paulo, e para ele, o crítico que tinha sido determinante durante décadas e estava começando a dar seus primeiros passos do lado de cá. Como é que alguém que se destacara por tantos anos como crítico teatral poderia voltar ao palco como ator dentro de um grupo? Seria possível?

Foi possível, porque ele era ousado, ele não tinha medo de se arriscar e de viver o teatro da forma que melhor lhe conviesse.

 No decorrer dos anos, aprendemos a ver no Alberto um amigo, um confidente, um defensor, um poço de conhecimento, um apaixonado, um companheiro de todas as horas.

O Alberto deixou de ser o crítico distante e rapidamente se transformou em uma peça fundamental para Os Satyros. Ele não carregava preconceitos estéticos nem fazia distinção entre pessoas ou trabalhos. Tudo sempre contava com o seu olhar curioso e crítico, generoso sem ser permissivo, atento sem ser pedante.

Sabia dividir o palco e trocar com o outro. Em um exemplo que já é clássico dentro do grupo, ele aceitou fazer “Inocência” no papel de um joalheiro que não dizia uma única palavra durante todo o espetáculo. Para um ator que tinha uma voz radiofônica, fazer esse tipo de  papel seria uma ofensa. Para o Alberto, fazer esses papel era uma forma de estar junto e dividir a experiência do palco com todos nós. Alberto, o companheiro de todos os momentos, nos ensinou uma lição singular.

E ele estava lá também, como sempre, desde o início dos ensaios de “Roberto Zucco”. Ao mesmo tempo que assumia a direção pedagógica da SP Escola de Teatro, uma responsabilidade histórica, ele queria estar de novo junto em “Roberto Zucco”.

Os ensaios começaram em setembro e no meio do mês de janeiro, ele ficou sabendo que teria de se operar. Reagiu com uma leveza e um otimismo admiráveis. Estava confiante que voltaria aos ensaios e seria capaz de fazer a peça. No dia em que se despediu do elenco, disse: “Eu vou ficar afastado um tempo, mas logo logo eu volto.”

Infelizmente, os dias de hospital se transformaram em meses e no dia 26 de junho passado ele  se despediu definitivamente de nós. Durante os meses de hospital ele sobreviveu com coragem e resignação diante todas as dificuldades. E perguntava do projeto. E, mesmo deitado em uma cama de hospital, queria saber de todos, mantendo a curiosidade que sempre marcara sua vida.

Aquela pergunta antiga que nos perseguiu durante tanto tempo, agiu como um bumerangue sobre nós. Nós não imaginávamos a importância que ele teria em nosso teatro. Nós não sabíamos quem ele seria para nós, e o quão fundamental ele se tornaria nos Satyros e em nossas vidas.

 

 

Saudades, Alberto...



Escrito por Sated Maranhão às 12h58
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VEM AÍÍÍ!!!

Quem tem Medo de Curupira?

Primeiro texto teatral de Zeca Baleiro, o espetáculo, em formato de opereta popular ao modo das velhas revistas e chanchadas, envolve personagens da fábula brasileira pouco explorados na dramaturgia.

Data: 28/08 a 12/12

sábado e domingo, às 16h

Centro Cultural FIESP-Ruth Cardoso

Av. Paulista, 1313- metrô Trianon-Masp



Escrito por Sated Maranhão às 15h29
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